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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

A “desconstrução” ideológica dos direitos eleitorais nas comunidades excluídas e o relacionamento comunidade e político


Após séculos do chamado modo de vida capitalista, com a gritante desigualdade entre as classes e pior, com uma competição acirrada entre essas, tem-se visto a expansão do grupo de excluídos. Os excluídos compreendem a parcela mais frágil numa sociedade, lhes é destituído o conhecimento, o saneamento básico, moradia, em síntese as necessidades fundamentais a vida. A ausência dessas necessidades amplifica os fenômenos de “desconstrução” de conceitos como voto e democracia (pela própria restrição ao conhecimento). O Estado, por sua vez, falha na distribuição desses serviços essenciais, assegurados por Constituição, gerando um “vazio assistencial” a ser preenchido.

Dessa forma, conseguiu-se o improvável: transformar um direito, uma responsabilidade em moeda de troca para procedimentos de execução em sua maioria simplificada e limitada em si. O voto tornou-se para eles a maneira de conquistar bens materiais necessários (a cadeira de rodas para a esposa do aposentado), construção de obras individuais (o muro da casa da eleitora), empregos, confraternizações, problemas de ordem, em sua maioria, individual.

Ao assumir o papel de benfeitor da comunidade, muitas vezes apropriando-se de verba pública para a execução de obras, o candidato ocupa a posição pouco exercida pelo Estado. De modo que a capacidade de influenciar a vida daquelas pessoas cresce, assim como o respeito das mesmas (em maioria), criando um por assim dizer rancho eleitoral. Obviamente que para a manutenção dessa relação o candidato necessite manter um controle sobre a região, não basta apenas dar lotes públicos, existe a necessidade do pão e leite diário, reforçando sua condição de “pai do povo”. Ex: Os excluídos por sua vez tendem a retornar de bom grado aos favores concedidos, levados em primeiro lugar pelos benefícios (muitas vezes é o pouco que chega), e também pelo próprio pensamento conservador presente na maior parte deles (“está ruim, contudo pode ficar pior”). Dessa maneira tem-se visto a perpetuação dessa prática ao longo do tempo, de modo a promover uma indignação em parte dos demais setores sociais. Essa indignação reside do fornecimento de políticas públicas assistencialistas sem projetos sólidos que permitam o crescimento como cidadão, sendo apenas uma maneira de sustentar os indivíduos.

O assistencialismo é, num sistema dito democrático (e nesse caso inclui-se também o voto como moeda de troca), uma prática condenável, não se permite nem a decisão (uma vez que essa é induzida pelos favores), nem se proporciona um crescimento expressivo e prorrogável. Por razões como essas, a prática do voto como moeda de troca, a partir das eleições de 2006 tornou-se irregular, contudo ainda que esteja vinculada como crime eleitoral, os personagens dessa relação permanecem com as mesmas características de antes. As comunidades carentes continuam submetidas a condições sanitárias, educacionais e hospitalares precárias, revelando sua fragilidade, enquanto a classe política ainda mantém sua necessidade e anseio de permanecer no poder.

Provavelmente será questão de apenas algum tempo até que os candidatos encontrem alternativas tão eficientes ou mais, para compra de seus votos, enquanto não houver a destruição das relações de fragilidade e dominação existentes nessas comunidades.
Autor: Rafael da Fonseca, estudante do 8º semestre de Odontologia

Vocação do Poder – Uma outra visão

O comentário em questão visa englobar complementos e também algumas críticas ao artigo escrito por Sebastião Gomes, estudante de História que cursa o segundo semestre.
O poder, apesar de ser uma forma de legitimidade do voto, não pode ser considerado uma coisa ou mesmo sua posse, mas sim uma relação entre pessoas. Infere-se deste conceito a noção de poder social, em que há um propósito unindo os participantes daquela, podendo o poder ser entendido com uma relação triádica.
O autor trata das estratégias utilizadas pelos candidatos vistos no filme, enfatizando a influência do apadrinhamento político e do papel da ideologia religiosa nas eleições. A abordagem realizada nestes âmbitos foi bem explorada, deixando um pouco a desejar quanto aos outros participantes do filme. Estes atores políticos não tão citados também são de importante análise, já que a derrota deve ser vista como uma forma de estudo dos fatores que não estão se enquadrando no cenário necessário à eleição.
Relembrando Max Weber, na política a relação de mandar e obedecer não é resumida simplesmente em fundamentos materiais ou mesmo no ato de obediência daqueles que se encontram submetidos, mas principalmente em específico fundamento de legitimidade. Fica então o questionamento sobre a ligação entre a candidata Márcia Teixeira e a dominação carismática citada por Weber, tendo em relevância que o sentido trabalhado de carisma para este é desprovido de juízo de valor. Não é viável, segundo o sociólogo, analisar se tal indivíduo tem pouco ou muito carisma, mas sim se o reconhecimento foi encontrado. Para isso, torna-se necessário que, no caso, a candidata Márcia se faça acreditar, podendo ter seu domínio posto sob dúvida. E é o que se espera, visto que ela foi vitoriosa e alcançou tal reconhecimento.
O famoso apadrinhamento político mencionado por Sebastião já foi motivo para muitas discussões e indagações no cenário nacional. Segundo ele, isto ajudou o candidato Carlo Caiado na sua eleição, já que além da família atuante no cenário político, havia também o apoio de importantes personalidades influentes.
Robert Michels cita em seu livro Sociologia dos Partidos Políticos a teoria da circulação das elites, formulada por Vilfredo Pareto, na qual afirma que a sucessão de cargos na vida eleitoral dá-se por “uma mistura incessante, com os antigos elementos atraindo, absorvendo e assimilando continuamente os novos [1]”.
O anseio daqueles que se encontram no poder por novos integrantes é, portanto, uma forma de preservar o próprio poder, visando sempre a perpetuação, seja direta ou indiretamente, por meio de apoio a outrem. O propósito citado no início se mantêm, propagando a necessidade, como diz Michels na mesma obra já colocada, de um grupo social dominante, uma classe de minoria que preza pelo apadrinhamento político.
[1] MICHELS, Robert. Sociologia dos Partidos Políticos.


Autora: Natália Resende Andrade – Engenharia Civil, 7º semestre.

Vocação do Poder

Este breve ensaio pretende relacionar as idéias de vocação com a estrutura do poder. O que entendemos como poder aqui é especificamente na área institucional, a legitimidade do voto. O processo eleitoral ao cargo de vereador na cidade do Rio de Janeiro em janeiro de 2004. E nossa reflexão aqui é tratar sobre as estratégias que levaram à Câmara de Vereadores os dois candidatos, Carlo Caiado e Márcia Teixeira. E essas estratégias são: a influência da instituição religiosa e o poder que a dirigente, a pastora Márcia Teixeira exercia sobre os fieis. E o papel do apadrinhamento político do qual o candidato Carlo Caiado se beneficiava.

Vocação significa: escolha, chamamento, qualidade, e a predestinação do indivíduo para desempenhar suas funções. Segundo João Ubaldo Ribeiro a concepção de vocação é: “de certa forma, pouca coisa pode haver de mais nobre do que a dedicação à coletividade”. Entretanto é importantíssimo nos perguntarmos se os candidatos que foram eleitos possuíam essas capacidades vocacionais. As respostas à essas perguntas, só o tempo nos dirá.

O nosso empenho é analisar a instituição religiosa cuja Márcia é pastora, aquela que direciona os fiéis à coletividade. No somatório total dos votos, rendeu-lhe mais de 10.000 votos. Se não existia um plano de governo bem definido e defendido pela candidata a Câmara, havia o apelo a Deus. A divindade iria orientá-la em suas decisões e em seus projetos. O apelo à santidade nas resoluções das questões humanas. O questionamento é: a instituição a elegeu, as massas, essa multidão de pessoas, legitimaram-na como sua representante. Como mencionamos anteriormente, a estratégia aliada à instituição religiosa funcionou: o poder dos fieis.

O apadrinhamento político consiste em que o candidato Carlo Caiado tinha o apoio do prefeito da cidade e de outras personalidades. Uma instituição também muito poderosa estava o apoiando em todos os sentidos, sendo esta a família. O prefeito sabe como funciona a máquina administrativa, ele tem que ter seus aliados na Câmara. De que outra forma seus projetos vão ser aprovados? O candidato Carlo Caiado, do PFL, cursava administração, era de família de classe média e gozava de certo “status”, para não qualifica-lo como elitizado. O poder do prefeito influenciou uma massa de pessoas e lhe conferiram mais de 23.000 votos. A estratégia do apadrinhamento funcionou.

Os candidatos que foram eleitos, que eles possam pensar em uma pedagogia social interessada em educar, civilizar, humanizar e, nesta perspectiva, conduzir a coletividade para a redução das desigualdades sociais.
Autor: Sebastião Gomes – Estudante de História 2º semestre

Interesse pelo poder

Observando as últimas eleições, com base nas aulas da primeira semana e no documentário “Vocação do Poder”, um questionamento me surgiu, e espero que seja tão pertinente para os leitores quanto pareceu ser para mim.

As relações de poder no Brasil, desde sempre, foram baseadas em situações de apadrinhamento político, ou até mesmo, em situações quase hereditárias. Apesar de já termos passado por dois imperadores, República da Espada, República do café-com-leite, Estado Novo de Vargas, Ditadura Militar, e outras relações menos importantes (ou menos conhecidas) de poder, o Brasil e povo brasileiro suporta certas coisas que não mudam.

Toda essa acomodação em relação à política me levou a questionar se o povo brasileiro tem vontade, ou até mesmo curiosidade, de escolher um bom candidato para assumir um posto político.

No documentário visto, ficou claro para mim o despreparo de alguns candidatos quanto às suas propostas para o cargo, veja bem que não estou dizendo que para se assumir um cargo político é necessário um curso superior ou algo do gênero, quero apenas mostrar que não havia se quer (da maioria dos candidatos, repito) conhecimento de seus limites como vereador.

Não excluo que existem pessoas no Brasil que procuram saber qual candidato é mais preparado para assumir determinado cargo, mas quero falar da grande parte da população que não tem (ou não procura ter) outro meio de conseguir informações que não seja a televisão. Essa grande massa de telespectadores se deixa levar pela aparência do candidato, ou pela dimensão de suas propostas, sem ao menos querer saber se ao assumir o cargo o candidato poderá cumprir as promessas feitas.

A alienação que é forçada ás pessoas só favorece os “maus” políticos, pois continua deixando margem a promessas que não podem ser cumpridas e a falta de debates políticos. E ainda, quando os debates acontecem, ou pelo menos são propostos, não há nenhuma participação popular e, no meu ver, o povo deveria ser o maior interessado no assunto debatido.

Quero reforçar que ao mencionar “alienação forçada” quero mostrar que também não há (e nunca houve) interesse das grandes forças que controlam o Estado dar ao povo conhecimento suficiente para analisar um bom candidato, pois assim fica bem simples convencer a população a eleger aquele que mais favorece aos interesses dos mais “poderosos”.

Quero destacar apenas um aspecto que acho pertinente a meu artigo: nas situações que exponho espero que o leitor guarde as proporções das relações sociais e a separação pertinente à parte da população que tem acesso à informação de qualidade.
Autora: Stefanie Rodrigues de Castro Cavalcante - Estudante de História, 2º semestre

A vocação do poder

O documentário A vocação do poder, dos diretores Eduardo Escorel e José Joffily, mostra uma parte da campanha realizada por seis candidatos ao cargo de vereador da cidade do Rio de Janeiro durante as eleições municipais de 2004. Um retrato das ações de cada candidato durante o processo eleitoral, desde o início da campanha até a apuração dos votos e o resultado das eleições.

Um dos candidatos era Felipe Santa Cruz, um político do Partido dos Trabalhadores. Ao analisar este se percebe a dificuldade de reunir um número interessante de pessoas para uma discussão política. Um debate é importante para a exposição das idéias polítco-partidárias dos candidatos. A população precisa estar ciente das propostas, ideologias e histórico destes, assim tomaria uma decisão mais concisa e inteligente, podendo, pós-eleições, ter de quem cobrar e sabendo o que cobrar. Caso não existisse o debate na política acredito que as pessoas seriam induzidas cada vez mais ao erro, pois os candidatos com melhor poder aquisitivo aumentariam a divulgação da sua candidatura e chamariam mais a atenção da população, até mesmo com a poluição sonora que faz com que o número do candidato não saia da cabeça das pessoas.

Um fato interessante é a mudança da legislação no que diz respeito aos candidatos não poderem mais oferecer benefícios aos eleitores em época de eleição. Concordo com essa medida, pois muitos políticos se aproveitam da fragilidade financeira e/ou emocional do cidadão para oferecer uma suposta ajuda; o individuo que necessita desse apoio acaba concordando com essa situação e se vê eternamente grata a esse candidato e acredita que votando nele, estará recompensando a ajuda. Logo, adotando essa política de “favores”, fica difícil se dizer que a resposta que sai das urnas é consciente, baseada em idéias. Em minha opinião, isso é mais uma forma de compra de voto!

Podemos observar que em alguns casos os candidatos “bem nascidos”, ou seja, de família com posses e com uma situação aquisitiva melhor, ou até mesmo candidatos que vêm de uma família já inserida na política, pode ajudar no resultado das urnas. Uma pessoa melhor instruída, educada, sabe como se portar em certas situações, debates, perguntas da população, etc. Sem contar com o dinheiro investido na campanha como já foi dito acima. Apesar de ser um fator de suma importância na decisão da eleição, não podemos apontá-lo como único responsável, pois, até pelo que vimos no filme, o candidato Antônio Pedro embora pertencesse a uma classe privilegiada financeiramente não ganhou as eleições. Devemos considerar aspectos como região ou raça: há pessoas que não votam em outras por puro preconceito regional ou racial, não votam no candidato por ele ser negro, índio, deficiente, nordestino, etc. Ou seja, grupos excluídos pela sociedade. Outro aspecto é o apadrinhamento político, é evidente que uma pessoa já inserida no meio político tem chances melhores de ser eleito, o apoio de outros políticos que já estão no ramo há mais tempo pode ser decisivo.

O fato de um candidato ter uma vertente ideológica pode ser favorável também. Observo isso ao analisar a candidata Márcia Teixeira, uma pastora que venceu as eleições. Ela tinha vários militantes que acreditavam que ela, por ser uma religiosa reconhecida na sua comunidade, poderia ser uma boa vereadora. Ela possuía certo carisma entre o povo que a cercava, situação, diferente do candidato MC Geléia, que apesar de super carismático e divertido não se baseava em nenhuma proposta concisa. Seu maior projeto dito foi a construção de uma espécie de espaço artístico para comunidade carente, poderia ser até um interesse de alguns bairros, mas não era algo essencial para maioria da população. Outro motivo que pode ter ocasionado sua derrota é que o MC Geléia não passava segurança para seus eleitores parecia que tudo aquilo que falava dava um ar de brincadeira, de “oba-oba”.

O candidato André Luis estava certo de sua vitória, achei arrogante da parte dele comentar sobre o bolão com quantos votos ele seria eleito. Apesar de esse ter vindo de uma família relacionada à política e ter bastante dinheiro, sua derrota pode ser explicada por sua falta de carisma, ou pela sua distância que ele parecia preservar entre as pessoas de baixa renda, talvez, tenha faltado mais contato direto com os eleitores, já que o cargo de vereador tem proximidade maior com a população que os outros cargos políticos.

Geralmente, o que é prometido em época de campanha não é cumprido após eleito. O candidato, principalmente aquele que concorre pela primeira vez, acredita que tem o mundo nas mãos e que após eleito poderá fazer mundos e fundos, mas se esquece que não é ele quem controla a verba destinada a cada ramo do governo, e que essa verba não é suficiente para cumprir tudo aquilo que foi prometido em época de campanha. Há também aqueles que se ofuscam com o poder e “esquecem” que não foram eleitos apenas pra ganhar dinheiro, eles têm um compromisso com toda aquela população que depositou confiança neles.

Mesmo aqueles que não foram eleitos ainda podem ficar como suplentes, candidatos que dependerão da desistência ou exoneração do cargo do titular.

Para concluir, acredito que a melhor estratégia para se ganhar uma eleição é ter dinheiro, um contato político e tentar passar confiança, não digo o carisma porque é muito pessoal, acredito que isso não se conquista, as pessoas já nascem com ele.

Autora: Amanda Tavares de Andrade – Matemática 2º Semestre

Tomar o poder ou rever a dominação?

Como se forma uma elite cristalizada,em que a massa fica sempre à margem do desenvolvimento e dos benefícios do Estado? Simples, forme uma massa ignorante. No Brasil não é difícil perceber como a mídia ajudou e ajuda no processo de “emburrecimento” das massas, a mídia dá às massas programas, estereótipos, informações, para controlar a massa. As novelas, e os Big Brothers são duas ferramentas fundamentais nesse processo, pois dão à massa as respostas de todos os questionamentos, e quando alguém da periferia vê que sua casa não é como a casa do rico da novela, ela simplesmente olha para o núcleo pobre, e se conforma com a situação em que vive. Posso estar exagerando com isso, mas se compararmos a realidade das periferias, em relação ao modo de pensar das pessoas, são praticamente reproduções do que se vê nas novelas(principalmente da rede Globo). As pessoas menos favorecidas buscam nos programas sociais do governo, a superação de sua pobreza, uma relação paternalista em que o filho pobre receberá a herança de seu Pai rico. É como se toda pessoa menos favorecida fosse o filho pródigo que foi embora, deixou todos os bens, mas na bondade infinita do “Pai”(o político), ele será restabelecido no seio familiar, vai receber o bolsa família, o seu bolsa escola, e em troca de tanto “amor” do “Pai”, deverá ajudar seu “Pai”, ou sendo seu cabo eleitoral, ou simplesmente perpetuando o status de seu “Pai.”
Segundo pesquisa do Tribunal Superior Eleitoral um pouco mais da metade, 51,5%, dos 127,4 milhões de eleitores brasileiros aptos a votar até o final de 2007 não conseguiram completar o primeiro grau ou apenas lê e escreve. O quadro é ainda mais dramático quando somados os 6,46% de eleitores analfabetos em todo o país.
Marx lutou pelo proletariado e se ele vivesse no século XXI,os trabalhadores já o teriam considerado uma piada, ele seria o Inri Cristo dos trabalhadores.A militância se traiu assumindo cargos políticos, ao ver Caetano Veloso fazendo shows,vivendo de uma forma tão aburguesada, nem se imagina que foi um dos extraditados brasileiros. Os caras-pintadas são os senhores ministros da atualidade. A luta contra a segregação, contra a burguesia virou história para as crianças da quarta série, história de um Che Guevara e um Tiradentes que não se conformaram e suas cabeças viraram troféus nas mãos de seus opositores. Ao ver a história de Virgulino, o Lampião, de como ele desafiou seu tempo, fez tremer o Nordeste, e desafiou toda a ordem de seu tempo, até imagino que se fosse sem sangue ele teria substituído Marx no seu discurso contra a burguesia.
O discurso contra a burguesia tem que ser reformulado, ele precisa se tornar um discurso contra toda a forma de exclusão e de opressão. As vezes paro e penso que o discurso “democrático-socialista”, é quase como uma ferramenta Ocidental de legitimar a sua luta contra todo o resto do mundo. Pelo menos foi a desculpa de Bush ao invadir o Iraque. Na civilização Ocidental acontecem segregações a todo tempo, se exclui o gordo, por estar fora do padrão de beleza,s e exclui os árabes “porque são todos terroristas”, se exclui o negro, o pobre, e até se exclui o rico sem-berço. O discurso deveria se tornar um pouco mais universal para poder captar todas essas realidades, pois não existe um só problema. Entre as classes, existem vários mecanismos de exclusão.
A revolução de 1930 aniquilou o grupo oligárquico dominado pela elite cafeeira paulista, trazendo para o poder uma junta militar, que passa o governo a Getúlio Vargas. Essa revolução queria mudar essa realidade de dominação da oligarquia cafeeira, mas em vez de se “libertar a sociedade”, substituiu a oligarquia pelos industriais. Devia-se pensar em uma sociedade em que todos terão oportunidades de desenvolvimento, tanto econômico quanto cultural, que não seja nivelado por baixo, como nos países comunistas, e nem se exclua a maioria da população como no capitalismo. Deve-se pensar em um novo modelo de sociedade em que os seres humanos são o centro. Utopia? Talvez seja mesmo, mas não é tomando o poder, e fazendo outra hierarquia que se findaram as relações de dominação da sociedade.
Por fim proponho uma reformulação do pensamento do ser humano, onde as pessoas não vejam as outras como escadas,mas sim como todos participantes do mesmo patamar a única forma de “tomar o poder”u. O ser político deve ser mais capacitado para as intempéries, o ser humano sobrevive nos desertos e no frio glacial, desde que tenha conhecimento para isso. O conhecimento é a chave para o fim das dominações, mas não é um conhecimento dado de cima para baixo, pode ser o simples saber tecer baús e redes, mas não de forma alienada, mas sim de forma que proporcione o desenvolvimento das pessoas.
Autora: Dandara Baçã de Jesus Lima – Biblioteconomia 7° semestre



Peregrinação política

Ao assistir ao filme Vocação do Poder diversos aspectos me chamaram atenção. Entretanto, dois personagens me despertaram mais interesse: a do advogado e mestre em Direito e Sociologia, Felipe Santa Cruz e a da pastora Márcia Teixeira.

O primeiro pela sua ideologia e persistência, mas também por sua ingenuidade. Toda a história do, aqui personagem, Felipe Santa Cruz é composta da vontade de aproximar o povo da política, por meio do debate, de discussões de projetos, do diálogo. E não impor seu discurso para os eleitores, ou como o outro candidato André Luiz, simplesmente não ter um discurso claro e objetivo, mas sim embasado por um forte clientelismo já exercido por seus pais. Ou ainda deixar esconder suas idéias com o nome do peixe grande que o apoiava.

Felipe foi vitima do próprio idealismo. Eu acreditaria num vereador como ele, ou pelo menos ouviria o tanto que ele aparentava ter pra dizer. O grande problema é que as pessoas, hoje, se abstêm de discutir e ouvir política. Todo mundo reclama das políticas públicas, dos impostos, da precariedade da saúde e da educação no país, mas a grande maioria não se importa em quem vota e muitas vezes não sabe o porquê de ter escolhido determinado candidato, esquecem que política está em todo lugar e faz parte da nossa vida. Aquele é mais bonito, o outro arrumou o muro da minha casa ou ele aparece mais na televisão, essas com certeza são justificativas que aparecem com freqüência entre os nossos eleitores.

Sobre a pastora minha pontuação é clara: tantos anos para «separar» a vertente religiosa do Estado para retrocedermos e encontrarmos em todo país púlpitos de igrejas transformados em grandes palanques e cultos e louvores a Deus em grandes comícios. A separação total entre religião e Estado pode nunca ter acontecido por completo, (para se ter uma idéia, mesmo que limitada, ainda hoje há crucifixos pregados em diversas repartições públicas) mas há de se perceber atualmente que principalmente as igrejas protestantes estão virando ponto de partida da vida política de muitos. Há uma bancada evangélica que cresce e se fortalece a cada dia.

O meu objetivo aqui não é, de forma alguma, denegrir ou insultar qualquer tipo de religião, meu questionamento se pauta na forma que isso se dá. Um líder religioso exerce forte pressão e influência em sua comunidade. Usar da boa fé ou até mesmo da alienação das pessoas é legítimo para eleger bancadas e formar partidos políticos? Sem discutir propostas ou ao menos ter projetos? Em uma parte interessante do documentário a pastora comenta que nunca se interessou ou se imaginou numa situação como aquela e que o povo tinha requisitado sua candidatura. Será?

Temos que concordar que Márcia tinha uma redoma perfeita para trabalhar a sua candidatura. Ela tinha o que Felipe não teve, pessoas reunidas em um lugar preparadas e dispostas a ouvi-la. Enquanto Felipe as queria para discutir questões políticas e envolver pessoas para conquistar votos, Márcia as tinha para orar, louvar e, de bandeja, ganhar facilmente todos aqueles votos, e tudo isso com o maior aliado político que poderia lhe convir: Deus.
Autora: Daniela Moura - Jornalismo - 7º semestre

A vocação do poder

O termo “política” refere-se ao exercício de algum tipo de poder e naturalmente, ás múltiplas conseqüências desse exercício. Definir a política sendo apenas como algo que tem haver com poder não basta para que possamos entender o que realmente é política.
Política tem a ver com quem manda, por que manda e como manda. Na política sempre há aquele alguém que manda nos demais. Normalmente é a minoria mandando na maioria. Este fato se encontra no centro da coisa política. Mesmo tendo várias definições para a palavra “política”, a explicação que as pessoas mais usam e entendem melhor é que a política é o estudo e a prática da canalização de interesses com a finalidade de conseguir decisões.
Por que as pessoas se tornam políticos? Normalmente isso é para poder mudar o mundo. Se houver algum tipo de injustiça, por exemplo, alguns políticos trabalham para poder desfazer aquela injustiça. Além disso, há vários outros motivos do por que as pessoas se tornam políticos. No mundo inteiro temos aqueles políticos bons e aqueles que são considerados ruins. Os considerados ruins na maioria das vezes são aqueles que fazem o seu trabalho por interesse próprio. Os bons são aqueles que fazem o seu trabalho a fim de ajudar o povo naquilo que for necessário.
Ser político não é nada fácil. Há muito para se fazer nesta área principalmente quando se trata de votar. Quando há votação normalmente há também vários candidatos, como por exemplo, para presidente, governador, vice-presidente, e “city council”. Estas pessoas não precisam ser famosas. Qualquer um é livre para se candidatar. Há casos em que uma pessoa que nunca foi candidato ganha as eleições. O filme A vocação do poder, mostra claramente esse exemplo.
Durante o período de eleição, vemos pelas cidades muitos cartazes com fotos, números e outro tipo de informação sobre tal candidato. Isso acontece para chamar atenção das pessoas. É uma maneira em que os candidatos chamam a atenção do povo. A maioria das pessoas prefere votar em alguém que eles já conheciam a muito tempo do que votar em alguém que se candidata pela primeira vez. Há poucos que preferem votar em um novato justamente para poder fazer alguma mudança ou então por terem sidos decepcionados por antigos candidatos.
Só porque esses homens e mulheres são candidatos não quer dizer que eles não gastam absolutamente nada para poder produzir os seus cartazes e chamar a mídia. Há um custo. São eles mesmos que pagam pelo seu material e precisam da autorização do estado para poder pregar os seus cartazes nas ruas. Há outros candidatos que não usam cartazes. Eles preferem usar a voz, que é considerado o elemento mais importante que possa existir na política. Esses candidatos que não usam cartazes preferem falar para as pessoas cara a cara, e dizer a eles que estão se candidatando para tal cargo e espera que eles votem neles. Para alguns cidadãos, cartazes não significam nada. A voz significa para eles muito mais do que um simples cartaz. Outros candidatos usam a arte da música, como o MC Geléia do filme Vocação do poder. Outros atos que faz com que as pessoas votem em algum candidato são se aquele candidato tem planos para ajudar o lado pobre da cidade. Há pessoas que fazem promessas para poder ajudar os ambientes pobres da cidade, mas acabam não cumprindo com a palavra. É por isso que temos hoje algumas pessoas que votam naqueles que não fazem promessas, porém tem interesse em ajudar o lado pobre da cidade.
Muitas pessoas pensam que ser político é fácil. Pensam que para ser político basta ter muito dinheiro. Isso é errado. Para ser político precisa ter muito mais do que dinheiro. Ter dinheiro é muito importante sim, mas os políticos precisam de muito mais para poder ser um bom político. Políticos precisam ter tranqüilidade, determinação, objetividade e carisma. Todas essas características fazem um bom político. Além do que foi citado acima, um político precisa saber falar com o povo, convencer o povo.
Na política, nós cidadãos votamos naqueles que sabemos que farão nossas vozes serem ouvidas. Votamos em um representante que colocará todas as nossas idéias juntas e levar essas idéias até o soberano. Mas isso não facilita o voto. Pro que? Isso é devido ao fato de que sempre tem muitos candidatos e neles todos tem mais de um que realmente é bom naquilo que faz. Isso dificulta na hora de escolher em quem votar.
Se pararmos pra pensar veremos que os políticos não são ruins. Eles são pessoas normais como você e eu que lutam para melhorar o mundo. Eles lutam para melhorar o país e a vida das pessoas que habitam nele.Se não houvessem políticos neste mundo ou candidatos para qualquer cargo dispostos a fazer algo de bom para melhorar as coisas, o mundo hoje seria um caos.
Autora:Francine M. Asobo - Relações Internacionais

A Vocação do Poder

The term “politics” refers to the exercise of some kind of power and naturally, to the multiple consequences of this exercise. Defining politics just as being something related to power is not enough for us to understand what politics really is.

Politics has to do with who commands, why he commands and how he commands. In politics we always have that someone who commands another person. Normally the majority is being commanded by the minority. This fact is found in the center of politics. Even though there are many definitions for what politics are, the explanation people use and understand the most is that politics is the study and practice of the canalization of interests with the finality of making decisions.

Why do people become politicians? Normally it is in order to make a change in the world. If there is any kind of injustice for example, some politicians work to undo that injustice. Besides this, there are many other reasons why people become politicians. All over the world we have the good politicians and those who are considered to be bad. The bad politicians are considered to be those who don’t want to really do the work for the people. They do it for self-interest. A good politician would want to help the people because he or she does care about people.

Being a politician isn’t easy at all. There is a lot of work to be done in this area especially when it comes to voting. When there is voting, when this period arrives, there normally are many candidates, like for example governor, president, vice-president or city council. These people don’t have to be famous people. Anyone can volunteer to be voted for. There are cases in which people who have never been candidates before win the elections. The movie Lust for Power (Vocação do Poder) is a great example which clearly shows the above situation.

During election time, around the cities and streets we see a lot of posters with pictures, numbers and other information. This is how the candidates call for people’s attention. It is a way the candidates ask the people to vote for them. People normally prefer voting for someone they have known for long then for a first time candidate. There are others who vote for a first time candidate just for a change or because the candidate for whom they used to vote for deceived them.

Just because these men and women are candidates for some kind of post doesn’t mean that they don’t waste anything by making these posters and calling the media. There is a cost. They are the ones who pay for the material they are using and they need to ask for an authorization in order for them to hang on their posters. There are other candidates who don’t use any poster at all. They prefer to use their voice, which for me, is the most important “element” in politics. They prefer to go around and tell the people themselves that they are candidates and that they hope the people vote for them. This is another act that people admire in politicians and at times, this gesture leads to the voting of that candidate. To some citizens, posters don’t mean anything. Posters don’t say anything in contrast to the voice. Other candidates use the art of music in order to be heard by people. This is another great way of making people listen to you and it spreads not just in your own city, but in other cities as well through internet especially. The character MC Geléia from A vocação do poder (Lust for power) used his music to make the people listen to him. Another gesture that makes people vote for a candidate is if that candidate is worried about helping the poor side of the city. There are some people who make promises about helping the poor sides but they end up not doing anything. This is why at times, some citizens vote for those candidates who don’t make promises at all but are willing to help and do something for the needy.

There are many people who think that being a politician is a very simple thing to do. They think that all it takes to be a politician is have a lot of money. This is wrong. It takes more than money to be a politician. Having money is indeed an important “element”, but there are many more things that politicians need to have to make them good ones. Politicians need to have tranquility, determination, objectivity and charisma. All those characteristics make up a great politician. Besides the above, a politician needs to know how to talk to the people. He needs to know how to convince the people. And this is done by using the voice. If we don’t speak up, if we loose our voice, then it means that we have lost the most important thing that we have.

In politics, we citizens vote for those who will make our voice be heard. We vote for a representative who will gather all our ideas together and take it to the sovereign one. This doesn’t make it any easier to vote. Why is this? This is because there are always too many candidates and there is more than one who is good. This makes it hard for people to decide in whom to vote.

If we stand and think, we will see that politicians aren’t these bad people that many think they are. They are actually normal people like us who fight to make the world a better place. They fight to improve the country and people’s lives. If we didn’t have politicians in the world or candidates willing to improve things, then this world would be total chaos.

Autora: Francine M. Asobo - Relações Internacionais

Comentário sobre o artigo “A Sociologia dos Partidos Políticos em Vocação do Poder e Entreatos”, de Raphael Andrade

O artigo A Sociologia dos Partidos Políticos em Vocação do Poder e Entreatos, de Raphael Andrade, ficou muito bem escrito. Ressalta pontos importantes na discussão sobre eleições, apresentando argumentos bons e coerentes.
É interessante ressaltar a desconexão que ocorre na comparação das eleições presidenciais e de vereadores, desde as campanhas eleitorais e a importância na mídia até o acompanhamento de seus mandatos. Dá-se muito mais importância as eleições presidenciais do que as demais, não só pelo fato dela atingir a todo o Brasil, mas também pela crença de que toda a responsabilidade é do Governo Federal, abstendo as esferas mais próximas da população do cumprimento de seus papéis. Tal prova disso é o fato da população eleger um presidente de tal viés político e maioria de deputados e senadores de um viés diferente (como aconteceu na eleição de Lula). Além de dificultar a governabilidade do Governo Federal, esse fato ilustra como a população não vê o sistema político como uma máquina única, em que o produto final depende do trabalho de todas as peças e atores envolvidos.
A atribuição de toda a responsabilidade ao presidente faz com que as eleições dos representantes mais próximos a população, como a de vereadores, tenha maior liberdade para fazer uma política calcada na compra de votos, no assistencialismo e no clientelismo, como pudemos observar no documentário Vocação do Poder. E, como bem colocado por Raphael, ao acabarem as eleições, o povo fica sem seu poder de troca (o voto), tendo que esperar as próximas eleições para tentar conseguir algo, já que são esquecidos durante esse intervalo. O pior é que a população ainda se sente em dívida com tal político.
O debate sério perde espaço para o assistencialismo, as plataformas eleitorais perdem para os “favores”, os interesses e as necessidades da população estão submetidos aos interesses particulares de nossos representantes políticos. Tal quadro deixa a população descrente do sistema, afastando-a cada vez mais dos debates políticos e fazendo com que os governantes tenham cada vez mais o perfil “carisma, apadrinhamento político, valores religiosos, publicidade e uma equipe competente e dedicada por trás do candidato”, ou seja, cada vez mais a população afasta-se e os candidatos tornam-se menos críticos, conscientes e responsáveis com seus deveres. O bom candidato passa a ser “aquele que sabe agradar a elite influente e a massa insatisfeita”.
Autora: Maíra Gussi – 2º semestre de Serviço Social

Crítica a Sociologia dos partidos políticos em Vocação do poder e Entreatos

A análise aos filmes Vocação do poder e Entreatos feita no artigo Sociologia dos partidos políticos em vocação do poder e entreatos já sucinta em seu título ao questionamento quanto a existência de um comportamento a ser seguido na política, já que, a própria sociologia é um ciência que abrange questões quanto ao comportamento humano em conjunto com a sociedade e seu meio.
A mídia indiscutivelmente apresenta-se como forte co-autora do debate política sendo a desigualdade das ruas ilustrada também nas urnas, no entanto a descrença quanto a ação dos políticos, encontra-se naturalizada não apenas nos políticos menores como também nos maiores, enraizada na simples suposição de que todo político é corrupto esta visão se reflete na quantidade de pessoas indecisas e de votos nulos nas eleições. A descrença leva a acomodação e esta conseqüentemente à indiferença em todos os níveis da política.
Também acredito que o plano ideológico está sendo colocado por ultimo ao longo do tempo remodelando-se as estratégias dos partidos políticos. Estas mudanças assim como as ações clientelistas antes explícitas e agora mascaradas, são conseqüências das mudanças que o panorama político deve sempre estar apto a fazer em decorrências das mudanças da sociedade buscando modelar-se.
Um bom candidato segundo o artigo Sociologia dos partidos político em vocação do poder e entreatos deve saber agradar tanto a elite como o povo. Preceitos estes que retomam Maquiavel e que foram muito abordados em sala de aula nos fazem questionar se a democracia não é uma ilusão.
Autora: Andréa Moura Batista - Serviço Social 3° semestre

A Sociologia dos partidos políticos em Vocação do Poder e Entreatos

Após a apresentação dos filmes Vocação do Poder, de Eduardo Escorel e José Jiffily e Entreatos, de João Moreira Sales, é possível, com a ajuda da teoria vista nos textos da disciplina, analisar, ainda que superficialmente a dinâmica vivenciada em épocas eleitorais.
O primeiro elemento que merece destaque é o debate político. Nas eleições presidenciais, é algo bastante valorizado, prova disso é o montante financeiro investido nisso. Essa valorização se dá, em grande parte pela agenda de discussão imposta pela mídia. É esta quem define o que tem mais ou menos importância. Neste sentido, um debate entre 6 candidatos a vereador perde força dentro da sociedade, uma vez que é visto como pouco influenciador na vida das pessoas quando comparado com um debate entre dois candidatos à presidência. A impressão que fica é que há uma crença compartilhada de que esses “políticos menores” são apenas para “cumprir tabela” e pouco podem fazer pela sociedade.

Observa-se, ainda neste elemento, uma mudança ao longo dos tempos: o debate deixa de apresentar a velha oposição ideológica para trazer listas de prioridades dos candidatos (o que será trabalhado primeiro e o que será deixado de lado por falta de tempo, dinheiro, interesse ou qualquer outro motivo), que difere entre si de maneira não tão significativa. O debate acaba servindo pra mostrar quem tem melhor equipe para realizar o mesmo trabalho, e não quem fará o melhor trabalho.

A campanha retratada no filme Vocação do Poder mostra mais um elemento que sofreu mudança no processo eleitoral no Brasil. Os benefícios oferecidos pelos candidatos passaram a ser menos explícitos. Destaca-se, por exemplo, o candidato André Luis Filho, que assim como os pais, “ajudava” a população necessitada. Segundo eles, não para ganhar votos, já que essa ajuda acontecia sempre. Em alguns casos, essa compra de votos se dá de maneira direta, mas em outros, pelo menos para a população pouco crítica, nada mais é que uma troca de favores. A população, algumas vezes, chega a ser tomada por um sentimento de reciprocidade e até mesmo de dívida (“afinal, ele me deu uma cadeira de rodas sem pedir nada em troca”).

Em ambos os filmes, pode-se observar diversas estratégias para a conquista dos votos. Conclui-se, a partir dos resultados de Vocação do Poder e Entreatos, que a conquista do poder por meio das eleições é reflexo não apenas de um fator único, mas de uma combinação de elementos, como carisma, apadrinhamento político, valores religiosos, publicidade e uma equipe competente e dedicada por trás do candidato. Todas essas variáveis são mediadas por uma outra de vital importância, a adequação do candidato ao seu público alvo; levando em conta seus interesses, suas insatisfações e opiniões, ou seja, uma combinação de fatores influenciada pelo contexto onde o político está inserido ou pretende se inserir. Arrisca-se a dizer, então, que o bom candidato é aquele que sabe agradar a elite influente e a massa insatisfeita.

Enquanto o resultado das eleições corrobora a Teoria da Circulação das Elites de Robert Michels, onde novos elementos são agregados à elite dominante de modo a garantir seus interesses, os acontecimentos pós-eleição podem ser interpretados à luz da Lei de Ferro da Oligarquia, aonde o grupo vencedor irá compor a oligarquia governante, com interesses distintos dos de sua base. Como Rubião, personagem do romance Quincas Borba, de Machado de Assis, sabiamente afirma “ao vencedor as batatas”.

Autor: Raphael Andrade - 8ª Semestre de Psicologia

Eleição: Dever de Todos e Alegria de Poucos

As diversas reações provocadas quando as pessoas escutam a palavra Política, decorre da experiência que o ato político, imprimiu no seu papel enquanto cidadão.

O período de eleições é um bom exemplo de como o poder sem legitimidade é incapaz de se manter por um longo período, sem encontrar uma forte oposição e de que forma as relações de poder estruturam a sociedade e afetam as diversas camadas sociais.

No filme Vocação do Poder, dos diretores Eduardo Escorel e José Joffily, observa-se a busca de apoio aos candidatos junto às massas valendo-se sempre de um discurso moralizador, que tem como pano de fundo a pobreza e destina seu foco a uma provável melhoria na qualidade de vida dos eleitores que vivem nas regiões humildes. As trocas de favores – dos candidatos para com os eleitores – típicas do período eleitoral são, na verdade, o embrião da relação clientelista que será estabelecida com o Estado nos anos seguintes, visto que são apenas candidatos e já lançam mão de um assistencialismo banal e totalmente descompromissado, o que resultará na visão paternalista – em que favores usurpam direitos - das massas em relação aos governantes. O clientelismo do período eleitoral é realmente preocupante, pois naquele momento o cidadão da periferia possui o seu voto para ser utilizado como moeda de troca, mas com o término das eleições, ele já não detém mais nada com um valor de troca suficiente, de modo a pressionar os governantes a lhe garantir seus direitos.

Frente a este ato, que no mínimo deve ser adjetivado como revoltante, os moradores das regiões menos afortunadas sentem na pele os efeitos da moral capitalista. Tida como fruto de um sistema que, de acordo com o Marxismo Clássico[1], impõe uma consciência de classe a uma minoria, burguesia, e condena a sociedade a uma cultura individualista, na qual os operários perdem sua consciência de classe e passam a se enfrentar no mercado de trabalho como competidores, gerando uma mais valia cada vez mais significativa para beneficio da classe burguesa.
Os sucessivos escândalos que vem ocorrendo de forma freqüente no cenário político nacional, acabaram provocando um sentimento de repulsa por parte de uma grande maioria da população brasileira, de forma que muitos cidadãos começaram a se auto definir como “Apolíticos”. O termo é usado no intuito de demonstrar uma falta de interesse e descontentamento com a situação atual da política nacional, mas o efeito provocado acaba sendo totalmente contrário e a passividade retratada pelos “Apolíticos” torna-se sinônimo de consentimento para com o cenário atual, passando uma idéia conservadora. Portanto a melhor alternativa é fazer uso prático do conceito de Política, ou seja, tomar decisões, as quais você julgar melhor, que afetem a coletividade da melhor forma possível, ao invés de tratar este assunto como se fosse uma prática alienígena e que em nada te afeta!
[1] O Manifesto Comunista, Karl Marx e Friederich Engels

Autor: Getúlio Henrique - Serviço Social - 3 ° Semestre

Tudo diferente, mas sempre igual: O que eles fazem para chegar ao poder

O filme A Vocação do Poder, de Eduardo Escorel e José Joffily, mostra a trajetória da campanha eleitoral de seis candidatos com perfis bem diferenciados, em busca do cargo de vereador. Candidatos bem diferentes, mas que se igualam a usarem de articulações políticas semelhantes para chegarem ao poder.

Em tempos passados, o processo de campanha eleitoral se baseava em relações de clientelismo, apadrinhamento, manipulação ideológica, etc. O tempo passou e hoje essas práticas ainda se fazem presentes.
Mesmo com a imposição da legislação eleitoral, ainda se podem presenciar benefícios concedidos a eleitores em troca de votos. Corrompendo assim a autonomia de escolha do eleitor, o qual por vezes se sente “obrigado” a votar no candidato que lhe assistiu de alguma forma, uma verdadeira manifestação do voto de cabresto.
Além desses, muitos outros fatores influenciam e conduzem uma campanha eleitoral. Por exemplo, o apadrinhamento político, o candidato Carlo Caiado apesar de não ter uma trajetória política, contou com o apoio de fortes aliados políticos, e isso foi um dos pontos decisivos para sua vitória. No caso da candidata, a pastora Márcia Teixeira, em certos momentos usou de sua condição de líder religiosa para justificar sua candidatura e enfatizar seus objetivos.

Mas como a política é uma arte e nem todos são artistas, às vezes é preciso mais que dinheiro e boas relações para se ganhar uma eleição. O carisma é um fator essencial na política, Getulio Vargas e Juscelino Kubitschek são exemplos de que essa admiração e veneração inexplicáveis podem ser aliadas na política.

No caso do candidato André Luis Filho ele possuía uma grande verba em sua campanha e contava com a herança política de seus pais, mas mostrou-se uma pessoa apagada, sem entusiasmo, sem poder de liderança para conduzir grandes transformações, e tudo isso refletiu em sua campanha.

Mas como toda batalha, preciso muitas armas para vencer essa guerra, e uma arma muito poderosa é a retórica, muitos não a tem e outros não sabem conduzi-la da melhor maneira. Isso pode ser percebido nos debate políticos, muitos candidatos nem comparecem e outros usam do tempo concedido para atacar, agredir, difamar os outros candidatos, perdendo assim o ensejo para explicar suas metas e objetivo, esclarecer sua idéias, enfim dizer ao eleito a que e para que veio.

Em meio a todos esses processos, seguem os candidatos em busca do poder, poder esse que se atingido, lhes permitirá realizar seus objetivos. Mas como afirma John Holoway, “O poder-fazer, portanto, nunca é individual: sempre é social.” [1] Cabe aos candidatos eleitos usarem desse poder de realização em prol dos que lhe colocaram nessa condição, deixando de lado interesses pessoais, troca de favores, barganhas, todo esse processo “sujo” que acompanha a política.

E é em virtude desse tipo de comportamento de alguns políticos, é que se acaba obtendo uma visão distorcida a respeito da política. Pois a política é uma arte, fazer política é um dom, sua existência contribui para melhor viabilizar as relações pessoais e sociais.

Nas palavras de João Ubaldo Ribeiro, “A política não é apenas uma coisa que envolve discursos, promessas, eleições e, como se diz freqüentemente muita sujeira É a condução de nossa própria existência individual, nossa prosperidade ou pobreza, nossa educação ou falta de educação, nossa felicidade ou infelicidade” [2]. Para assim atingirmos o tão almejado progresso.

[1] Holloway, John. Mudar o mundo sem tomar o poder: o significado da revolução hoje. São Paulo: Viramundo, 2003.330p.
[2] Ribeiro, João Ubaldo, 1941- Política:Quem manda , por que manda, como manda.10ed.Rio de Janeiro:Nova Fronteira,1993.221p.

Autora: Graciene Lilian Lima Silva - Biblioteconomia - 2° Semestre

A receita para ganhar uma eleição

No filme Vocação do Poder, tivemos uma pequena noção de como são os bastidores de uma eleição. No filme vimos as dificuldades e barreiras que alguns candidatos, principalmente os menos afortunados, têm para conseguir colocar suas idéias a amostra, e se colocar a mostra. Vimos também claramente que não basta apenas o candidato ter dinheiro para injetar em sua campanha, ou/e ter aliados políticos “fortes”, se o mesmo não for uma pessoa bem quista e principalmente carismática. Neste caso, o candidato que estava mais bem estruturado para a campanha eleitoral era o André Luiz Filho, que ainda tinha o apoio e a “tradição” política da família, sendo filho da Deputada Estadual Eliana Ribeiro e do Deputado Federal André Luiz, ou seja, estava praticamente com a vitória nas mãos. Porém, ele não foi eleito, e tivemos no fim das eleições a vitória da Pastora Márcia Teixeira e de Carlo Caiado. No caso da pastora não foi uma surpresa pois ela focou e estruturou sua campanha na igreja e nos seus fieis, que não são poucos. Já no caso do Carlo Caiado, ele tinha algumas leves ligações políticas, era um “praticante político” e o principal, era mais carismático que André Luiz Filho. Sendo assim chegamos a conclusão que não basta ter o ponto financeiro, ou as alianças políticas ou ser carismático apenas, que era o caso do MC Geléia, para ser eleito tem que ter os três fatores juntos.

O que todos nos já sabemos, e através do filme tivemos a plena certeza, é que se você não tiver um bom relacionamento com figuras políticas importantes, que possam e queiram te ajudar na sua campanha, não tiver uma boa estratégia política, alguém para patrocinar sua campanha e não souber o que seu eleitorado quer ouvir, para obviamente falar para ele, com certeza não será eleito.

Autor: Renato Ávila

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

O papel do indivíduo no cenário político, reconhecendo o Poder como princípio de mudanças - Baseado no Documentário ‘Vocação do Poder’


O filme apresentado propõe várias reflexões. Creio que a mensagem que mais chamou minha atenção é antiga, ou seja, desde o primeiro esboço de organização em sociedade, que foi delineado pelo homem ainda primitivo, o poder é algo que atrai. Atrai e mascara. Observando a tensão e a reação frustrada dos candidatos não-eleitos, pude confirmar que o poder político que lhes seria instituído traria uma infinidade de benefícios particulares em detrimento às promessas e mudanças que o povo verdadeiramente esperava deles. Se o sistema fosse outro, um candidato derrotado pensaria que seu opositor, provavelmente, estaria em melhores condições de governar do que ele próprio, pois o único aspecto que seria levado em conta nas urnas seria a capacidade que cada um tem de governar. Interesses particulares ficariam fora da disputa. Porém, essa é uma visão extremamente idealizada e que não se aplica em aspecto algum de nossa realidade.

No texto de John Holloway, Mudar o mundo sem tomar o poder, esse aspecto de insatisfação com o mundo em que vivemos, a repulsa que sentimos pela fome, violência e desigualdade que nos cercam, é bastante explorado. E não há como negar que tais fatos decorrem da negligência das pessoas que detém o poder, ou até mesmo das falhas que o sistema apresenta. O autor enfoca a necessidade de tomarmos partido nessa luta e nos unirmos à dor dos que sofrem mais a fundo essas mazelas da sociedade.

Porém, seria cômodo atribuirmos toda a culpa a outros e omitirmos nossa parcela em todo esse cenário. Um exemplo bastante claro da falta de vontade do povo em mudar essa situação foi o debate promovido pelo candidato e advogado Felipe Santa Cruz, que contou com pouquíssimas pessoas. Mas seria então falta de vontade ou descrença total da população? Não sei, mas penso que não deveríamos perder as esperanças e ao contrário do que foi exposto no documentário, a Universidade que recebeu o debate deveria estar cheia, pois ao vermos as propostas do candidato e argumentando-as com o mesmo, podemos concluir se tal pessoa merece ou não o nosso voto. Acontece que muitos debates viraram palco de agressões mútuas, quando contam com mais de um candidato e, assim, você passa a avaliar e escolher o candidato que tem a reputação menos negativa, segundo os ataques dos opositores, em detrimento à análise da capacidade de governar que ele possui.

Outro fator determinante em épocas de eleições são os valores que os políticos agregam às suas campanhas, sejam eles familiares, religiosos ou até mesmo o carisma que o candidato transmite aos seus eleitores. Dentre todos os valores, o carisma é o que mais se destaca e é também um dos mais decisivos. Outro fator ainda considerado importante é o partido político ao qual o candidato é filiado. Há pessoas que votam em partidos, e não em candidatos. Esse fator enfraquece o processo, pois o partido pode ter uma ideologia, mas cada pessoa tem um ideal dentro de si, que deve ser considerado e avaliado segundo uma ótica que vise o bem-estar comum. E o que seria bem-estar comum? Para não entrar em méritos de conceitos, colocarei a minha visão: Penso que tudo o que é tido como sensato conduz, invariavelmente, ao bem-estar comum. Trato como “comum” uma medida que atinja a maioria. Uma medida que possa diminuir o antagonismo de classes.

É interessante pensar que nas eleições, o enorme abismo que existe nas condições sociais dos brasileiros, por um momento, parece desaparecer. O político não faz distinção entre o voto do rico e o do pobre e se mistura às massas em busca de aprovação popular. O eleitor, seja de qual classe for, sente-se importante peça no jogo político que delineia a democracia daquele instante.

Finalmente, creio que o processo eleitoral no Brasil ainda tem muito que melhorar. Ainda precisamos de mais clareza e transparência para podermos exercer nosso papel nas urnas. Precisamos acreditar que votar não é inútil e devemos ter esperanças renovadas de quatro em quatro anos. Não queremos ser impelidos a praticar um ato só porque o mesmo é prescrito na Carta Magna, mas queremos ter a certeza de que nossa ida às urnas terá alguma representatividade rumo a uma mudança efetiva nos padrões de nossa sociedade.

Autora: Larissa Timo – Estatística 8° Semestre

Qual o valor do seu voto?


A lei que em 2006 aboliu a entrega de brindes, camisas e até mesmo dinheiro, chamada de minirreforma eleitoral impõe que os candidatos ficam limitados em oferecer além das promessas costumeiras os panfletos, santinhos, cartazes, faixas, carro de som entre outras maneiras permitidas pela justiça eleitoral nas épocas eleitorais. Os atos que foram abolidos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são para que possa haver uma maior conscientização das duas partes eleitorais com relação à representação, de que não é com brindes que se ganham votos. As pessoas têm que saber que o voto é muito importante, pois com o voto você pode melhorar a vida de sua família, da sua cidade, do seu estado, pois quando se vota em um candidato honesto com bons planejamentos de boas obras, podemos mudar a vida e a concepção de cada pessoa diante do futuro político. Para garantir as promessas realizadas devemos ser fiscais dos nossos representantes, afim de que possa sair do papel para a realidade local.

Essa mudança drástica no ano de 2006 mudou todo o cenário eleitoral, pelo fato dos candidatos terem a cultura de comprarem votos por apenas brindes. Casos assim ocorrem principalmente em locais de baixo nível escolar e pouca infra-estrutura, em situações assim os candidatos são mais maleáveis na negociação do voto fazendo com que criem esperanças em promessas nunca cumpridas ou em bem feitoras que para os candidatos nada custa. Com fornecimento dos brindes os eleitores mostram alívios momentâneos, podemos citar o exemplo do filme, quando o candidato André Filho visita à casa de uma mulher juntamente com sua mãe e ver a situação precária e promete arrumar a situação do local, com isso a mulher fica aliviada, pois já tinha conseguido a cadeira de rodas, e no final da filmagem na casa dela, a eleitora ainda alerta para não ficar somente na promessa.

De acordo com o trecho relatado podemos concluir que os candidatos usavam o poder e como estudamos em sala de aula, poder é a capacidade de influenciar o comportamento das pessoas. Isso acontecia freqüentemente, e representava troca de favores, porém da parte dos candidatos os favores só eram oferecidos em épocas eleitorais, contrário ao voto que concede um tipo de autonomia durante quatro anos.

Nas eleições locais e no documentário A vocação do poder, pode-se perceber o quão distante as pessoas estão de entender o seu papel fundamental na sociedade e acabam sendo enganadas momentaneamente. Por esse motivo os cidadãos ficam descrentes da política e se deixam comprar, pois acham que de nada adiantam os seus votos. Assim se cria a concepção de que político só aparece nas casas quando estão buscando votos e quando ganham, ficam distantes da sociedade, e as promessas de uma bem-feitoria em alguma casa é apenas uma das formas de corromper facilmente as pessoas que necessitam.

Contudo essa lei chamada de minirreforma eleitoral, para que possa fazer valer, deverá existir fiscalização. Essa fiscalização também deve partir de nós, eleitores, afim de que haja aplicação da lei, para constituirmos de representantes que possam valer a nossa representação, que é o nosso voto da nossa democracia, para tentarmos construir o nosso país da maneira sustentável e acordos firmados de acordo com a maioria dos cidadãos.

Autor: Mayko Vinícius Ferreira Curso - Administração 2ª semestre

sábado, 19 de janeiro de 2008

“Good Copy Bad Copy”: como a pirataria pode modificar as relações de produção


Transformar um tempo em que as possibilidades artísticas estão esgotadas requer mais do que uma revolução criativa. Uma vez que a replicação e a reapropriação de informação alheia fazem parte dessa revolução, na forma de sampling, mashups e P2P, a transformação exige também o ingresso nas frentes de batalha pela cultura livre e pela partilha de conteúdos.

O documentário “Good Copy Bad Copy” - dirigido pelos dinamarqueses Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke - revela como as pessoas ao redor do mundo têm se colocado diante dessa questão, através do desrespeito deliberado das leis de direitos autorais e da formação de grupos e até partidos políticos que requerem mudanças nessas leis. Para a maior parte delas “as leis atuais estão inibindo o fluxo de criatividade” e “Copyright é uma forma de prevenir que a sociedade se torne produtora de cultura”.

A conclusão é a de que a Indústria do Entretenimento ainda não sabe como lidar com a nova cultura de reprodução. Ou não quer. Como discutido em sala de aula, o impacto do atual modo de produção artística para quem já tem um modelo constituído no mercado é muito grande e ao longo do processo da democratização de informação, novos atores serão incluídos e outros excluídos. A opção tomada pela indústria para manter sua posição no mercado é a de pressionar através das ferramentas disponíveis no meio jurídico. E na medida em que a indústria sente que não existe alternativa que não seja se adaptar, ela continua a usar as leis para impor um novo modelo de negócios.

Partido Pirata: politizando a discussão dos direitos autorais

Piratpartiet ou partido pirata é um partido político sueco fundado em 2006, que deu origem a partidos com o mesmo nome e objetivos similares ao redor do mundo. Inicialmente o partido era contra os direitos de marca registrada, direitos de cópia e patentes, mas modificou um pouco essas questões quando seu primeiro programa foi aceito.

Nas eleições gerais de 2006, o partido recebeu 0.63% dos votos, entretanto, o resultado não o qualificou para cadeiras no parlamento sueco. Apesar da derrota, o Piratpartiet está se preparando para a eleição do Parlamento Europeu em 2009 e para a eleição geral da Suécia em 2010.

Novidades do embate artistas e piratas vs gravadoras

Em outubro de 2007 a banda inglesa Radiohead anunciou o lançamento de seu sétimo álbum, intitulado “In Rainbows”, e o disponibilizou para venda apenas pela internet. Sem contrato com a gravadora EMI e mantendo um estúdio próprio, a banda decidiu disponibilizar o disco em mp3 para download pelo preço de zero a 100 libras, de acordo com o que o cliente escolhesse pagar.
Apesar dos representantes da banda não terem disponibilizado nenhum número com relação às vendas, o Forbes.com revelou que já no primeiro dia do lançamento do disco, apesar de ser grátis no site oficial, 240 mil pessoas fizeram o download através do BitTorrent.
Enquanto isso, a EMI, anunciou no dia 15 de janeiro uma reestruturação que será implementada nos próximos meses para compensar o impacto da receita menor com a venda de CDs e a saída de vários artistas. Entre as medidas estão o corte de até 2 mil empregos e a permissão de patrocínio de empresas para seus artistas.


Autora: Aline T– 2° semestre de Tradução - Francês

Resumo do documentário Entreatos de João Moreira Salles


O documentário é sobre os bastidores da campanha eleitoral do então candidato a presidência da República Luis Inácio Lula da Silva em 2002. Mostra detalhes e acontecimentos, que por sua vez não estão à disposição do público. O candidato autorizou as filmagens sem cortes. A imagem de Lula é explorada de maneira que deixa transparecer à oposição entre o metalúrgico de 1989 e o candidato com grandes chances de ser eleito no primeiro turno em 2002. No entanto nos bastidores Lula demonstra ser uma "figura do povo" que apresenta traços de um líder nato. Apesar de que para ser eleito necessite de uma grande campanha comandada pelo publicitário Duda Mendonça. O documentário é muito vasto em conteúdo podendo ser abordado em vários aspectos.

Deixo duas questões:



  1. Por que o Lula de 1989 não foi eleito se o mesmo apresentava uma imagem de trabalhador? (barba grande e camiseta).

  2. E por que ele foi eleito em 2002 ao colocar uma gravata e apresentar uma plataforma política semelhante e apoiado por parte de seus antigos inimigos políticos?

Palavras chaves: bastidores; Lula;candidato;campanha;Duda Mendonça.

Autora: Valdene Costa Rocha, estudante de História, 2o Semestre.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Lei de Ferro e Circulação das Elites – a ‘Vocação do Poder’ se enquadra nestas teorias?


O sociólogo Robert Michels nasceu em 1876 e devido à grande simpatia que tinha pelo socialismo, ingressou e estudou a social-democracia alemã (SPD). Em Sociologia dos Partidos Políticos, Michels constrói uma argumentação a respeito dos fenômenos de poder dentro de organizações democráticas. Sua tese, construída a partir do caso do SPD, centra-se na idéia de que toda organização tende à burocratização. Segundo ele, a partir do momento que a massa se organiza, ela também forma um pequeno grupo para dirigi-la. Com isso, surge a hierarquização, as regras e a rigidez processual. A idéia é que a nova organização busque eficiência e só irá consegui-la adotando um controle interno proporcional ao seu tamanho

Neste sentido, faz-se necessária a dedicação integral de funcionários a ela. Este quadro de funcionários passa a ter novos interesses (subsistência) diferentes dos demais membros do partido, que ainda enxergam organização como um meio para a tomada de poder. O partido passa então a ser encarado como um meio para alcançar um objetivo, mas ao mesmo tempo, um fim em si mesmo. Diante desta nova perspectiva, os ideais iniciais do partido (revolucionários) são deixados de lado uma vez que põem em risco sua perpetuação. Toda essa teoria constitui o que Michels chamou de “Lei de Ferro da Oligarquia”. De uma maneira geral, a lei afirma que toda organização gera uma minoria dominante, com interesses distintos dos de sua base.

Outro elemento importante para a compreensão dos fenômenos de poder dentro dos partidos políticos é a teoria da circulação das elites. Tal teoria afirma que a classe dominante em uma organização qualquer alterna papéis sem necessariamente trocar as pessoas. Há, entretanto, uma “renovação” no sentido em que esses dirigentes, por diversas vezes precisam incorporar e agregar novos elementos a fim de garantir a manutenção do poder.

Por fim, é possível traçar um paralelo com o filme ‘A Vocação do Poder’ e identificar elementos que influenciam (e algumas vezes determinam) o sucesso eleitoral. Podemos destacar o carisma, o apadrinhamento político (a partir de duas relações –familiares e políticas), os valores religiosos, econômicos, ideológicos, regras e as relações dentro do partido. O apadrinhamento recebido por André Luis e Carlo Caiado gerou conseqüências distintas, devido a outros elementos, como o carisma e as regras do sistema. O apadrinhamento pode ser entendido como uma forma prática da circulação das elites e que busca manter o poder nas mãos da mesma elite dominante (Lei de Ferro das Oligarquias).

Autores: Natália Resende – Engenharia Civil, 7º semestre.
Raphael Andrade – Psicologia, 8º semestre.

Proletários de todos os países, uni-vos!


“A burguesia, onde passou a dominar, destruiu as relações feudais, patriarcais e idílicas. Dilacerou sem piedade os laços feudais que mantinham as pessoas amarradas à seus “superiores naturais”, se por no lugar qualquer outra relação entre os indivíduos que não o interprese nu e cru do pagamento impessoal e insensível “em dinheiro”. Afogou na agua fria do calculo egoísta todo o fervor próprio do fanatismo religioso, do entusiasmo cavalheiresco e do sentimentalismo pequeno-burguês. Dissolveu a dignidade pessoal no valor de troca e substituiu as muitas liberdades, conquistadas e decretadas, por uma determinada liberdade, a de comercio. E uma palavra, no lugada exploração encoberta por ilusões religiosas e politicas ela colocou uma exploração aberta,desavergonhada, direta e seca.”

-Karl Marx e Friederich Engels-

O Manifesto sugere um curso de ação para uma revolução socialista através da tomada do poder pelos proletários. O Manifesto Comunista faz uma dura crítica ao modo de produção capitalista e na forma como a sociedade se estruturou através desse modo. Busca organizar o proletário como classe social capaz de reverter sua precária situação e descreve os vários tipos de pensamento comunista, assim como define o objetivo e os princípios do socialismo científico. Marx e Engels partem de uma análise histórica, distinguindo as várias formas de opressão social durante os séculos e situa a burguesia moderna como nova classe opressora. Não deixa, porém, de citar seu grande papel revolucionário, tendo destruído o poder monárquico e religioso valorizando a liberdade econômica extremamente competitiva e um aspecto monetário frio em detrimento das relações pessoais e sociais, assim tratando o operário como uma simples peça de trabalho. Este aspecto juntamente com os recursos de aceleração de produção (tecnologia e divisão do trabalho) destrói todo atrativo para o trabalhador, deixando-o completamente desmotivado e contribuindo para a sua miserabilidade e coisificação. Além disso, analisa o desenvolvimento de novas necessidades tecnológicas na indústria e de novas necessidades de consumo impostas ao mercado consumidor.

A exclusividade entre os proletários conscientes, portanto comunistas, segundo Marx e Engels, é de que visam a abolição da propriedade privada e lutam embasados num conhecimento histórico da organização social, são portanto revolucionários. Além disso, destaca que o comunismo não priva o poder de apropriação dos produtos sociais; apenas elimina o poder de subjugar o trabalho alheio por meio dessa apropriação, o que seria o conceito da “mais valia”. Com o desenvolvimento do socialismo a divisão em classes sociais desapareceriam e o poder público perderia seu caráter opressor, enfim seria instaurada uma sociedade comunista onde a superestrutura deixaria de existir.

O debate em sala levantou as seguintes questões:

A economia é tudo?
Um dos principais argumentos contra o pensamento de Marx é o seu enfoque único nas relações econômicas, de que “a história de todas as sociedades até agora tem sido a história das lutas de classe”. Dentre as diversas respostas obtidas em sala, a principal foi: “não basta que o indivíduo tenha somente suas habilidades pessoais, pois no sistema capitalista a questão principal deriva das oportunidades”.

O que seriam os “pré-capitalistas”?
Para Marx o trabalho feminino, infantil e escravo não faziam parte da estrutura e que, portanto, não eram legitimados pela super-estrutura já que a estrutura (relações de poder) sustenta a super-estrutura (Estado) de forma orgânica se influenciando mutuamente.

Autores: Cleodoberto Shakespeare - 08/26839 - Serviço Social
Willian P do Nascimento - 08/34971 - História




quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

[Filme da Semana] Entreatos de João Moreira Salles

Resumo

De 25 de setembro a 27 de outubro de 2002 a equipe de filmagem acompanhou passo a passo a campanha de Luís Inácio Lula da Silva à presidência da República. O filme revela os bastidores de um momento histórico através de material exclusivo, como conversas privadas, reuniões estratégicas, telefonemas, traslados, gravações de pronunciamentos e programas eleitorais.

Gênero: Documentario
Diretor: João Moreira Salles
Duração: 117 minutos
Ano de Lançamento: 2004
País de Origem: Brasil
Idioma do Áudio: portugues


Recebeu 2 indicações ao Grande Prêmio Cinema Brasil, nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Documentário.





Curiosidades


O projeto de gravar dois documentários sobre a campanha presidencial de 2002 nasceu a partir de conversas entre a Videofilmes e a Rede Globo. O projeto inicial previa que João Moreira Salles acompanharia a campanha de Lula no 2º turno e Eduardo Coutinho seguiria a campanha de seu adversário no mesmo período. Com a saída da Rede Globo, o projeto original foi alterado.

- A intenção do diretor João Moreira Salles era apenas acompanhar a campanha de Lula no 2º turno, mas como havia a possibilidade de que ele saísse vitorioso já no 1º turno o início das filmagens foi antecipado.

- A autorização para que a equipe de Entreatos filmasse os bastidores da campanha de Lula teve que ser negociada diariamente, mesmo com a autorização prévia do Partido dos Trabalhadores para que as filmagens fossem realizadas.

- A equipe de filmagens que acompanhou a campanha de Lula era composta de 7 pessoas.

- Foram gravadas ao todo 240 horas, através de câmeras digitais.

- O material filmado durante a campanha foi guardado em cofres e não teve nenhuma divulgação até que Entreatos estivesse finalizado, em 2004.

- Na edição final os realizadores optaram por utilizar as cenas mais reservadas de Lula na campanha, testemunhadas em grande parte apenas pela equipe de filmagem.

- A cena em que Lula recebe a confirmação de que foi eleito Presidente do Brasil foi filmada por Mariana, filha do senador Aloísio Mercadante. A equipe de filmagens de Entreatos não recebeu autorização para rodar naquele dia, logo o diretor João Moreira Salles pediu a Mariana, que estaria no local no momento, que fizesse a câmera.

- As filmagens chegaram ao fim em 28 de outubro de 2002, com o telefonema do presidente dos Estados Unidos George W. Bush a Lula, de dentro do avião Air Force One. Esta cena não foi incluída no filme, por decisão do diretor.

- A edição de Entreatos teve início em fevereiro de 2003.

- A 1ª versão de Entreatos tinha a duração de 3 horas e meia, ainda mostrando tanto as cenas reservadas quanto as públicas da campanha de Lula.

- Os seguintes títulos foram cogitados pelo diretor João Moreira Salles para o documentário: "Intervalos de uma Campanha", "Antes da Presidência" e "Fora de Cena".

- Lançado nos cinemas em 26 de novembro de 2004, na mesma data de Peões, que também trata da campanha de Lula à presidência.
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Compreensão da Dialética Espacial Atual, por meio do texto: “Como a Teoria Sociológica Urbana Pode Ler as Cidades do Ciberespaço”.


No dia 16/02, Ariel G. Foina (formado em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília, e Direito pelo UniCEUB, e doutorando da Universidade de Salamanca na Espanha) trabalhou com os alunos de ICP, a possibilidade de analisar o Espaço Virtual, utilizando uma base teórica do Espaço Tridimensional. Demonstrando assim a existência de cidades virtuais, que segundo o autor são os provedores de conteúdo (“Yahoo.com” , o “Excite.com”). Estes provedores oferecem um conjunto de serviços aos usuários, muitos utilizam o mito de que são grátis. Entretanto ao “roubarem” o tempo dos usuários por meio das propagandas, estabelecem assim o custo dos serviços.


Com a exposição feita pelo autor, deste ambiente virtual, é possível perceber a dialética espacial atual. Em que a relação entre Espaço Tridimensional e Espaço Virtual promove uma conjuntura territorial nunca antes vista pela história da humanidade. A partir disto, as relações sociais, econômicas, políticas e também culturais tornam-se mais complexas.


Para compreender a nova ordem mundial é importante reforçar, que a maior parte destes provedores de conteúdo e dos maiores criadores de tecnologia são os atores hegemônicos do atual sistema. Assim existem várias relações políticas dentro destes pólos formadores de tecnologia, que determinam como ocorrerão as relações sociais, econômicas, culturais e políticas em toda parte do globo.


Compreender a influência que estes atores têm em determinar todas estas relações é um exercício de análise política. Exercício de grande importância para aqueles que pretendem entender este “mundo confuso”.


Autor: Marcelo Dias, estudante de Geografia do 3º Semestre.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Para assistir em casa - Documentário: A Guerra.



A série documental A Guerra, concebida e realizada pelo jornalista Joaquim Furtado, recupera imagens de arquivo da Rede de TV Portuguesa - RTP, muitas delas inéditas, e exibe depoimentos de militares portugueses, colonos e combatentes dos movimentos de libertação das colónias portuguesas.

O documentário, de nove epísódios, foi exibido na RTP e causou incômodo nos militares portugueses que lutaram em defesa do imperialismo português.

Ele percorre de forma cronológica 13 anos de conflitos nas antigas colónias portuguesas. O trabalho resulta de uma «pesquisa bastante aprofundada com recurso a muitas fontes para dar uma visão global dos acontecimentos», explicou Joaquim Furtado.

«Traz novas informações, novas visões sobre algumas verdades oficiais», disse, apontando como exemplos os acontecimentos logo no início da guerra em Angola, e o episódio que ficou conhecido como o Massacre de Mueda, em Moçambique, onde morreram centenas de pessoas.

Ao longo de oito anos, viu mais de seis mil filmes, oriundos, nomeadamente, dos arquivos da RTP, dos serviços de audiovisuais do Exército, muitos arquivos particulares e realizou cerca de 200 entrevistas a protagonistas dos vários lados do conflito.

O primeiro episódio centra-se sobre o início da guerra em Angola, nos massacres da UPA a fazendeiros e bailundos no norte do país. Dá a palavra aos protagonistas - dos que mataram aos que “fugiram da morte”, mais de dez mil, até aos sobreviventes e aos militares que partiram para a desgraça sem nada conhecerem do que iam encontrar.

O documentário é como um caleidoscópio, onde as diferentes visões fractais se combinam em imagens inéditas, revelações e narrativas fortes.

Boa Cópia, Má Cópia (Good Copy Bad Copy)

Sinopse

"Andreas Johnsen, Ralf Christensen e Henrik Moltke lançaram o melhor documentário sobre direitos autorais e cultura já feito até hoje. Com entrevistas que vão desde o DJ Girl Talk, até o produtor nigeriano Charles Igwe e passando pelo presidente da International Federation of the Phonografic Industry, John Kennedy, os diretores conseguiram captar a tensão existente no debate atual entre detentores de conteúdo da indústria tradicional e artistas da nova indústria. O nome "good copy, bad copy" não poderia ser melhor para ilustrar este contraponto alertando sobre o papel que o direito autoral pode desempenhar tanto para aprisionar estas novas formas de expressão cultural, quanto para libertar a cultura permitindo uma revolução criativa mais profunda."

- Bruno Magrani em culturalivre.org.br


A tecnologia bittorrent é bastante discutida nesse filme, e tem inclusive entrevistas com o pessoal do The Pirate Bay, que foi fechado pela polícia sueca há um tempo atrás mas reabriu logo depois e continua em operação normal.
Vale ressaltar também o grande destaque que o movimento Tecno Brega, de Belém do Pará, recebeu nesse documentário, que o classifica como um dos movimentos culturais mais inovadores em termos de modelo de negócio em produção cultural.

Entrevistados:
Dr Lawrence Ferrara - Diretor do Departamento de Música da NYU
DJ Girl Talk - Pittsburgh, EUA
Paul V Licalsi - Advogado de Sonnenschein
Jane Peterer - Bridgeport Music
Dr Siva Vaidhyanathan - NYU
Danger Mouse - Produtor
Dan Glickman - Presidente da MPAA
Anakata - The Pirate Bay
Tiamo - The Pirate Bay
Rick Falkvinge - The Pirate Party (Partido Pirata)
Lawrence Lessig - Creative Commons
Ronaldo Lemos - Professor de Direito FGV Brazil
Charles Igwe - Produtor cinematográfico - Lagos Nigeria
Mayo Ayilaran - Sociedade de Direitos Autorais da Nigéria
Olivier Chastan - VP Records
John Kennedy - Presidente da IFPI
Shira Perlmutter - Diretora de Política Global da IFPI
Peter Jenner - Sincere Management
John Buckman - Gravadora Magnatune
Beto Metralha - Produtor, Belém do Pará
Dj Dinho - Aparelharem Tupinambá, Belém Do Pará

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